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Tendências para 2018, segundo o Gartner

“As tendências tecnológicas estratégicas para 2018 estão relacionadas com o ecossistema de Inteligência Artificial. Os líderes de TI precisam observar essas estratégias de inovação”. O alerta foi feito por David Cearley, vice-presidente e analista do Gartner durante o simpósio da empresa realizado em Orlando, nos EUA. Gartner é uma empresa fundada em 1979 por Gideon Gartner, em Connecticut, nos EUA.

Neste artigo publicado no Bizmeet, David Cearley comenta cada um desses pilares da inovação. Confira:

1 – Alicerces da Inteligência Artificial
Criar sistemas que aprendem, adaptam-se e agem de forma autônoma será o principal desafio das empresas até 2020. A capacidade de utilizar a IA para melhorar a tomada de decisões, reinventar modelos e ecossistemas de negócio e melhorar a experiência do consumidor vai começar a compensar as iniciativas digitais até 2025. Em logística, o Watson da IBM permitirá que gerentes antevejam contratempos.

“As áreas de investimento podem incluir a preparação e integração de dados, algoritmos, seleção de metodologias de criação e treinamento de modelos. Disciplinas como Ciência de Dados, programação e gestão do negócio vão precisar trabalhar em harmonia”, reforça Cearley.

2 – Análises inteligentes
Algumas aplicativos não poderão existir sem a IA e o Machine Learning. Os apps inteligentes criarão uma nova camada intermediária de inteligência entre as pessoas e os sistemas e terão o potencial de transformar a natureza do trabalho.

“Explorar apps inteligentes é uma forma de aumentar a capacidade humana e não apenas uma forma de substituir as pessoas”, diz Cearley. “Analytics é uma área de crescimento particularmente estratégica, que começará a tirar partido do Machine Learning para automatizar a preparação de dados.”

3 – Coisas inteligentes
A IA está contribuindo para o desenvolvimento de novas coisas inteligentes (automóveis autônomos, robôs, drones) e para melhorar as capacidades de coisas que já existem (Internet das Coisas). Atualmente, a utilização de veículos autônomos em ambientes controlados (agricultura ou mineração) é uma área de crescimento acelerado.

“Até 2022 provavelmente vamos ter veículos autônomos em estradas bem delimitadas e controladas. E nos próximos cinco anos os fabricantes vão continuar a testar a tecnologia. Ao mesmo tempo, as questões legais e de aceitação cultural vão sendo aprimoradas”, comenta ele.

4 – Gêmeo digital
O gêmeo digital diz respeito à representação digital de uma entidade ou sistema do mundo real. No contexto da Internet das Coisas, os gêmeos digitais são particularmente promissores nos próximos três a cinco anos. Eles são utilizados para compreender o estado das coisas ou dos sistemas, para implementar mudanças, melhorar operações e adicionar valor. Em um primeiro momento, as organizações vão implementar gêmeos digitais e, gradualmente, fazê-los evoluir e melhorar a capacidade de analisar dados e dar respostas eficazes para o negócio.

“Com o tempo, as representações digitais virtuais de tudo o que há no mundo estarão dinamicamente conectadas com a sua versão no mundo real, e terão capacidades de IA integradas para permitir simulações, operações e análises avançadas”, explica Cearley.

5 – Da cloud às extremidades

As empresas devem começar a usar normas de design para suportar a computação nos extremos das redes e nos seus modelos para a arquitetura de infraestrutura, especialmente aquelas com uma quantidade significativa de elementos de IoT.

Cloud e Edge Computing são abordagens complementares. A cloud envolve um estilo de computação em que as capacidades tecnológicas escaláveis e elásticas são disponibilizadas como serviços e que não obriga necessariamente a um modelo centralizado. A Edge Computing descreve uma tipologia de computação em que o processamento da informação, a coleta e a distribuição de conteúdos estão próximos das fontes de informação.

“Quando utilizada como complemento, a cloud pode criar um modelo orientado para o serviço e uma estrutura de coordenação e controle centralizadas, com a Edge sendo utilizada em um modo de entrega para execução de processos distribuídos e desconectados, em determinados aspectos, do serviço cloud”, assinala Cearley.

6 – Plataformas de conversação
As plataformas de conversação vão levar à próxima mudança de paradigma na forma como as pessoas interagem com o mundo digital. A responsabilidade de traduzir intenções passa do usuário para o computador. A plataforma recebe a questão ou o comando do usuário e responde executando algumas funções.

Ao longo dos próximos anos, as interfaces de conversação vão tornar-se um dos principais objetivos na produção de aplicações, para melhorar a interação com os usuários e serão distribuídas através de hardware dedicado.

“As plataformas conversação atingiram um ponto de inflexão em matéria de compreensão da linguagem e intenções básicas dos usuários, mas ainda é pouco”, diz Cearley. “O principal diferencial das plataformas será a robustez dos seus modelos de conversação.”

7 – Experiência imersiva
Enquanto as interfaces de conversação estão mudando a forma como as pessoas controlam o mundo digital, as de Realidades Virtual, Aumentada e Misturada (ou Combinada, segundo a Intel) estão mudando a forma como as pessoas entendem e interagem com o mundo digital. Os mercados de Realidade Virtual (RV) e Aumentada (RA) são ainda nascentes e fragmentados.

O interesse é elevado, o que resulta em muitas novidades na área de aplicações de RV que se traduzem em um valor de negócio relativamente baixo, exceto nos sistemas de entretenimento avançado, como o dos videogames e vídeos de 360º. Para conseguir lucros tangíveis reais, as empresas devem examinar cenários específicos da vida real em que a RV e a RA podem ser aplicadas para tornar os empregados mais produtivos e melhorar os processos de desenho, formação e visualização.

A Realidade Misturada, por sua vez, que funde as funcionalidades técnicas da RA e da RV, está ganhando terreno, melhorando a forma como as pessoas veem e interagem com o seu mundo. A Realidade Misturada é abrangente e tira partido de dispositivos como capacetes e óculos, mas também de aplicações de RA em smartphones e tablets.

“A Realidade Misturada pode abranger tudo o que diz respeito à percepção e interação das pessoas com o mundo digital”, revela o executivo.

8 – Blockchain
Esta tecnologia está evoluindo de uma infraestrutura de criptomoeda para uma plataforma de transformação digital. É um afastamento radical das atuais transações centralizadas e pode servir de base para negócios digitais disruptivos.

Embora o Blockchain tenha sido originalmente focado na indústria de serviços financeiros, a tecnologia pode ter muitas aplicações, incluindo administração pública, saúde, indústria fabril, distribuição de mídia, verificação de identidades, registro de títulos e cadeias de abastecimento.

“Apesar de ser uma promessa de longo prazo, o Blockchain será uma realidade nos próximos dois a três anos, e irá, sem dúvida, criar disrupção”, revela o Gartner.

9 – Foco nos eventos
Com o uso de corretores, IoT, Cloud Computing, Blockchain, gestão de dados in-memory e IA, os eventos podem ser detectados mais rapidamente e analisados com mais detalhes. Mas a tecnologia por si só, sem mudança cultural e na liderança, não consegue entregar o modelo focado em eventos.

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Tendências tecnológicas para 2018, segundo o Gartner

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