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A tecnologia e a crise do Rio

Necessitamos explorar os novos caminhos tecnológicos da Ciência de Dados, relacionados à exploração do Big Data”.

Não podemos misturar angústia e impotência. A crise pela qual passamos só pode ser enfrentada com a mobilização da sociedade, com ideias e atitudes proativas e, principalmente, propostas inovadoras. Não é hora de buscar responsáveis para justificar nossas omissões. Temos que juntar esforços e convocar todos os que possam contribuir com alternativas.

Sem saudosismo, temos que lembrar que o Rio de Janeiro foi o principal centro de desenvolvimento de Tecnologia da Informação do país. Instalou o primeiro computador, formou centenas de profissionais de elevada competência. Foi sede dos principais fabricantes estrangeiros de equipamentos e da maior fábrica de capital nacional.

Nos anos 1980, foi o maior produtor de software. Nossas universidades foram responsáveis pelos avanços tecnológicos propulsores da maioria das conquistas da indústria petrolífera.

A decadência antecedeu a crise atual e, de produtores, passamos a consumidores, embora representando o terceiro mercado. Desapareceram segmentos relacionados à cadeia produtiva de petróleo e gás e de contratos públicos, que acabaram por falta de demandas e/ou de pagamentos, associados à ausência de uma política de fomento.

Como consequência, segundo a última RAIS disponível, o número de profissionais empregados no Rio caiu em torno de 5%, com a fuga de empresas. Em São Paulo cresceu 5%, próximo da média nacional de 4,5%.

Quais são as opções para retomar o espaço que estamos perdendo? Das capitais do Sudeste, o Rio é a única que não tem qualquer tipo de incentivo tributário ou financiamento. As iniciativas estão focadas em empresas startups. São importantes, mas estão longe de serem uma alternativa que substitua o apoio às empresas constituídas e maduras.

Precisamos equiparar o ISS atual, que é de 5%, aos valores praticados pela maioria das demais cidades, que é de 2%. Precisamos, entre outras medidas, desenvolver o fundo criado para desenvolvimento tecnológico pela prefeitura, que tem apenas mil reais de recursos alocados.

Necessitamos explorar os novos caminhos tecnológicos da Ciência de Dados, relacionados à exploração do Big Data, por meio dos modelos de inteligência artificial e da Internet das Coisas, amplamente dominados por nossas instituições acadêmicas e que, com incentivos, poderiam ser transferidos para o mundo empresarial, criando novos produtos competitivos, em vez de importar soluções de outros estados e países.

Agrupar nossos conhecimentos de marketing digital e comércio eletrônico é um outro exemplo de alternativa para novos negócios, construindo uma forte economia digital, capaz de competir e preservar mercados. Vamos reagir e procurar novos caminhos. Este é o desafio.

Benito Paret
Presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Rio de Janeiro.

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