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Rio de Janeiro sai na frente e apresenta a primeira rede de IoT do Brasil

Boécio Vidal Lannes, da equipe do IoT24x7

Foi dada a largada para que o Rio de Janeiro se torne a primeira cidade brasileira conectada por meio de uma rede de Internet das Coisas. Essa é a proposta da Phygitall, empresa de tecnologia de IoT com sede no Rio de Janeiro, que promete espalhar pela cidade uma rede de tecnologia de comunicação conhecida como LoRa (Long Range Radio) por meio da especificação LoRaWAN.

Com a Rede IoT Rio de Janeiro, a Phygitall e outras empresas parceiras da prefeitura poderão monitorar frotas de veículos públicos como ônibus e vans, controlar os sinais de trânsito, as estações meteorológicas, ligar e desligar as lâmpadas dos postes e até os painéis eletrônicos de publicidade. Uma central de comando vai dar respostas em tempo real.

O projeto prevê a instalação de 135 antenas de alta performance e de baixo custo para cobrir o município. Três delas já estão em teste no centro da cidade.

“Nossa proposta é que o Rio de Janeiro faça parte dessa vanguarda e conquiste o título de primeira smart city do Brasil”, afirma Lúcio Netto, um dos fundadores da empresa.

A decisão dos executivos da Phygitall de investir em soluções para metrópoles se baseia em pesquisas que mostram que em quatro anos (ou 2020) o mundo terá 30 bilhões de coisas conectadas, e muitos desses equipamentos estarão nas grandes cidades.

A Phygitall desenvolveu um gateway (uma antena) que permite monitorar tanto um animal quanto uma pessoa ou qualquer coisa. Instalada no bairro da Ilha do Governador, no Rio, a antena passou no teste e seu sinal cobriu toda a Baía de Guanabara. Um de seus projetos é monitorar a iluminação pública no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da cidade.

“A tecnologia LoRaWAN é a peça que faltava para resolver o problema de conectividade e eficiência energética para a Rede IoT Rio de Janeiro”, salienta Gustavo Nascimento, CEO da Phygitall e entusiasta do assunto. “Não compete com o celular porque a bateria do celular dura um dia e a da LoRaWAN dura até três anos”, reforça ele.

Enquanto o LoRaWAN atinge até 2 km com obstáculos ou 20 km em área aberta, uma antena de celular tem alcance muito menor. A infraestrutura é muito mais barata, além de ser gratuito. Há restrições: só consegue enviar 140 tuítes e não transmite fotos nem vídeos. “Não é para humanos; é para coisas”, observa Nascimento.

LoRa
A tecnologia LoRa foi desenvolvida pela Semtech, que é a dona da patente. Com sede nos Estados Unidos, a empresa abriu a tecnologia para o mercado para que startups do setor desenvolvam equipamentos que possam ser conectados a este protocolo. Como aposta no futuro, a Semtech espera faturar com os bilhões de chips que estarão embarcados em cada equipamento conectado.

No mundo, os chips conectados à rede LoRaWAN já monitoram pulseiras para rastreamento de idosos, chips em cachorros e gatos, gados nas fazendas, além de todos os equipamentos usados nas cidades.

SigFox
É concorrente da LoRa e também pretende abocanhar uma parte do mercado brasileiro. No Brasil, a SigFox firmou uma parceria com a WND Brasil, empresa responsável pela instalação da infraestrutura de rede e exploração comercial na América Latina.

Segundo o diretor de Negócios da WND Brasil, Eduardo Koki Iha, a primeira rede SigFox de IoT no Brasil será ativada em setembro. A rede funcionará em 902 Mhz, frequência não licenciada, com a tecnologia LPWA. “A opção pela faixa de 902 MHz, que é não licenciada, não implica ficar à parte da Anatel”, explicou o diretor em entrevista ao site “Convergência Digital”, no dia 9 de agosto.

Hoje, a SifFox está focadas no agronegócio. A infraestrutura chegará primeiramente nas principais capitais do país e também nos Estados do Mato Grosso e no interior de São Paulo. A SigFox está presente em 32 países cobrindo uma população de 512 milhões de pessoas.

À espera de regulamentação

Não existem equipamentos Lora e nem SigFox homologados no Brasil, o que por enquanto impede o uso desses serviços em larga escala. Hoje o que existem são celulares conectados aos equipamentos – caso de pulseiras em idosos, bueiros inteligentes, robôs que fazem limpeza domiciliar e chips em cachorros.

A Anatel está propondo mudanças do padrão das comunicações com o intuito de remover obstáculos que atualmente emperram a evolução da Internet das Coisas no Brasil.

A ideia é facilitar a implantação da tecnologia LoRa (Long Range Radio) por meio da especificação LoRaWAN. Quem fez esse comunicado ao mercado foi o gerente da Anatel Felipe Lima durante evento organizado pela ABINC – Associação Brasileira de Internet das Coisas, no dia 11 de julho, em São Paul

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