Destaques

Quem acerta e quem erra na era da disrupção

Napster, Kodak e Yahoo são três casos clássicos de fracasso.

Ricardo Abiz

O conceito de líder exponencial é uma moda no mundo corporativo. Mas sempre existiu exponencialidade nas empresas e nos negócios. O termo “disrupção” está ligado a companhias exponenciais, sendo retratado dessa forma em todo o mundo. A teoria da Inovação Disruptiva foi descrita inicialmente em 2001 por Clayton M. Christensen no livro Dilema da Inovação. Formado em Administração pela Harvard Business School, Clayton é mundialmente conhecido pelo seu estudo em inovação dentro de grandes corporações.

A análise de exponencialidade passa por exemplos de empresas que fracassaram em suas trajetórias. O Napster, a Kodak e o Yahoo são três casos clássicos. Essas empresas não souberam perceber o momento do segundo elo de virada, dado que exponencialidade não representa uma curva infinita. Direcionado a negócios, é aquele gatilho que alavanca uma boa ideia no mercado, que chama a atenção para a sua empresa, porém, ao longo do tempo a base de exponencialidade uma vez difundida, sobe a régua e volta a “flat”.

O Napster, criado por Shawn Fanning e Sean Parker, em 1999, protagonizou a primeira luta notória entre a indústria fonográfica e a internet, já que permitia o compartilhamento de MP3 na rede. Seu sucesso se deu de maneira extremamente rápida, se tornando “viral” poucos meses após seu lançamento, permanecendo como a principal fonte de arquivos MP3 até 2002. Mas foi considerado ilegal. Sofreu com diversos processos judiciais das gravadores de música e acabou fechando as portas. Hoje existe um novo Napster, inclusive disponível para assinantes brasileiros. Mas o cenário é outro. Há muita disputa no mercado oferecendo os serviços de música por streaming – Spotify, Apple Music, Google Play Music, Deezer, Tidal e YouTube.

Mesmo caso da Kodak. Fundada em 1880 por George Eastman, nos Estados Unidos, a marca foi a maior empresa de fotografia do planeta. No final da década de 70, a Kodak tinha 90% das vendas de filmes e 85% das vendas de câmeras nos Estados Unidos, o principal mercado do mundo. Tinha 100.000 empregados e um lucro de bilhões. Pediu falência em 2012 por falta de inovação. Hoje, o compartilhamento de fotos é dominado pelo Instagram e pelo Facebook. O aparelho para tirar fotos não é mais a câmera, é o celular. Uma mudança que a Kodak não acompanhou. A companhia agora tem apenas 6.000 empregados.

O Yahoo foi pioneiro nos primórdios da era da internet, e chegou a ser o portal da web mais visto no mundo, com 700 milhões de visitas todos os meses, em mais de 30 idiomas. Foi uma grande promessa, mas perdeu o gatilho e, tempos depois, naufragou. Fundado na Califórnia por Jerry Yang e David Filo, em 1994, ficou globalmente conhecido pelo motor de busca Yahoo Search, e serviços relacionados, incluindo o Yahoo Directory, Yahoo Mail, Yahoo News, Yahoo Finance, Yahoo Grupos, Yahoo Respostas, publicidade, mapas online, compartilhamento de vídeo e mídia social. Analistas afirmam que o maior erro da CEO da companhia, Marissa Mayer, foi tentar levar o Yahoo para o futuro com uma estratégia do passado. Mayer pensou que o Yahoo podia voltar ao topo com serviços para celulares. Isso foi um erro porque, quando Mayer chegou à companhia em 2012, esse nicho de mercado já estava ocupado pela Apple com o iPhone e Google com o Android, além das milhares de pessoas que faziam aplicativos para as duas plataformas. Foi um grande erro estratégico.
Por isso a necessidade de um segundo impulsionamento.

Volta por cima – A Apple é um exemplo de empresa que deu a volta por cima, depois de forte perda de mercado. Fundada em 1976 em Cupertino, Califórnia, retirou a palavra “Computer” do nome 30 anos depois quando decidiu expandir seus domínios para outros segmentos. É dona das marcas Macintosh, iPod, iPhone, iPad, Apple TV e o Apple Watch. Teve seu início fabuloso trazendo ao mundo o conceito de computador pessoal. Mas perdeu muito do seu mercado com a saída de Stevie Jobs do comando. Com o retorno triunfal de Jobs, a empresa vislumbrou novos negócios e voltou à liderança. Uma retomada com o conceito da exponencialidade.

Ricardo Abiz é board member & CIO – Exponenciais Sócio fundador da Exponenciais Educação Corporariva e especialista em estratégia e gestão com extensão pelo Jack Welch Management Institute – Strayer University.

Ver mais posts

Artigos relacionados

Close