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Por que fracassam a maioria dos projetos de Internet das Coisas

Até 2018 pelo menos 80% das implementações da Internet das Coisas vão desperdiçar oportunidades de transformação e não vão conseguir fazer dinheiro com IoT. Essa é a conclusão de uma pesquisa da Cisco, que descobriu que um terço dos projetos de IoT fracassaram.

“Na minha experiência com dezenas de organizações que implementam soluções IoT, aqueles que alcançaram o ROI esperado mudaram suas abordagens comerciais tradicionais”, ressalta Maciej Kranz, vice-presidente de Estratégia Corporativa e Inovação da Cisco. Ela publicou este artigo na Harvard Business Review, uma revista da Harvard Business Publishing que traz reflexões sobre as melhores práticas na gestão de negócios.

Observe alguns de seus conselhos:

Desenvolver um ecossistema de parceiros
A essência do IoT é a interconectividade. A interconectividade é mais do que as conexões entre dispositivos – trata-se das conexões entre clientes, parceiros e fornecedores. Consequentemente, a IoT está conduzindo as empresas a mudanças estruturais.

Isso significa que as corporações devem deixar para trás modelos tradicionais de sistemas proprietários, processos rígidos e confiança em alguns parceiros de longa data e avançar em modelos que abraçam estruturas abertas e flexíveis nas quais os parceiros podem resolver em conjunto os problemas do negócio. Esta abordagem colaborativa não é mais opcional: nenhuma empresa, implantando apenas seus próprios produtos ou serviços, pode capturar o valor da IoT por si só e certamente não com a velocidade exigida no mercado digital de hoje.

Mineradora e petroleira usam IoT
As empresas que implantam o IoT com sucesso em setores industriais, como petróleo e gás, mineração e transporte, estão buscando vários parceiros ágeis com arquiteturas IP abertas para criar soluções. Esta abordagem permite que as organizações agreguem as melhores tecnologias e desenvolvam soluções mais ágeis e com menor custo.

Por exemplo, a Goldcorp, empresa global de mineração, se associou à Accenture para unir um ecossistema de grandes e pequenos fornecedores de IoT para conectar uma mina no Cerro Negro, na Nicarágua. Com a análise de dados fornecida pela Microsoft Azure e uma infraestrutura de dados fornecida pela Industrial Scientific e a Cisco, as operadoras agora têm um painel para monitorar remotamente as pessoas, equipamentos e qualidade do ar na mina em tempo real.

Em outro exemplo, a solução de segurança implantada pela Marathon Petroleum, empresa de Ohio, EUA, com seu parceiro de integração acompanha os locais dos trabalhadores e transmite alertas de segurança combinando dados de Wi-Fi, detectores de gás wearable, sensores de movimento, redes sem fio e localização em tempo real sistemas – todos originários de diferentes fornecedores.

Uma vez que uma companhia reconheça que é um dos nós em uma rede interligada, sua estratégia de negócios deve mudar externamente e internamente. Como Goldcorp e Accenture, e Marathon Petroleum e seu parceiro de integração mostraram, a mudança pode funcionar se for construída sobre a interconectividade.

Busca permanente por talentos
Sim, a IoT requer novas habilidades técnicas, que vão desde ciência de dados e arquitetura de sistemas até a segurança cibernética. Igualmente importante, no entanto, é a necessidade de especialistas em tecnologia que possuem tanto as habilidades de negócios quanto as pessoas para colaborar entre grupos dentro e fora das quatro paredes da empresa.

O motivo? As soluções IoT tendem a abranger tecnologia da informação (TI), tecnologia operacional (OT) e funções principais do negócio. Esses grupos devem trabalhar juntos. Assim, os principais atores de IoT estão criando novos papéis e hierarquias.

Em 2016, a BP-Akers, petrolífera norueguesa, criou um novo cargo executivo, SVP e diretor de melhorias, para encabeçar o alinhamento de suas funções digitais e IOT. Além disso, vários fabricantes criaram recentemente um novo papel de liderança, engenheiro de fabricação de TI, com relatórios de linha pontilhada para OT e TI.

O Campofrio Food Group, um processador multinacional de carne, decidiu transformar sua tecnologia, cultura e processos de negócios em sua fábrica emblemática de 17 anos em Burgos, Espanha. Após um incêndio que destruiu o galpão, a empresa reconstruiu-o como uma fábrica conectada, com IoT, e incentivou os funcionários a mudar sua mentalidade, ajudando-os a adquirir novas habilidades e a colaborar em todos os níveis, inclusive participando da tomada de decisões.

“Nós nos transformamos de uma hierarquia antiga para uma cultura mais interativa, onde todos são instados a ajudar o negócio”, disse Javier Alvarez, CIO do grupo Campofrio. “Pedimos aos nossos funcionários que se atualizem. Dentro de cinco anos a companhia quer levar este modelo de tecnologia e talento para todas as instalações na Europa.”

Existem várias estratégias que podem ser usadas para desenvolver o talento de IoT. Primeiro, treine seus funcionários em habilidades críticas de IoT – não apenas tecnologia e processos, mas também colaboração. Em segundo lugar, implemente uma cultura de inovação em todos os graus, funções e regiões. Muitas empresas, como a Cisco, desafiam regularmente os funcionários a formar equipes para trabalhar juntos em soluções sobre as quais são mais apaixonados. É uma forma de incentivá-los a pensar e a agir como empresários interdependentes.

Atraia os jovens
É importante cultivar uma cultura de diversidade e abertura em equipe, na qual cada voz é valorizada. Isso não só atrai trabalhadores mais jovens, mas também atrai o especialista em IoT. Tente patrocinar projetos conjuntos com universidades através dos quais os alunos possam ter novas experiências. Como a IBM e a Cisco, faça parcerias com instituições educacionais para co-desenvolver currículos e oferecer cursos de IOT on-line.

Boeing, Northrup Grumman e muitos outros possuem programas de estágio de verão para estudantes de ensino médio para incentivá-los a retornar à empresa durante e após a faculdade. A New Manufacturing Alliance, financiada por empresas associadas, ajuda a preencher a lacuna de habilidades através de parcerias educacionais com escolas, oferecendo bolsas de estudo e bolsas para estudantes em escolas técnicas.

As empresas da Milwaukee Rockwell Automation e ManpowerGroup anunciaram recentemente uma parceria para treinar 1.000 veteranos militares para fabricação avançada. A Amazon compartilha abertamente o seu programa Career Choice com outras empresas, que treina trabalhadores de nível básico, principalmente em armazéns, para carreiras de maior remuneração.

A Siemens, gigante alemã, precisava de especialistas em mecatrônica, uma mistura de engenharia mecânica e eletrônica, em suas instalações na Carolina do Norte, EUA. Em vez de seguir a rota de contratação tradicional, a Siemens estabeleceu um programa de aprendizado de quatro anos com um colégio comunitário local que ofereceu treinamento e um diploma em mecatrônica. Esta abordagem funcionou excepcionalmente bem, proporcionando à Siemens os talentos que precisava e ainda incentivou outras unidades da empresa a levar o programa para outras escolas e locais.

Sem integração não se chega a nada
Uma cidade dos EUA instalou um sistema de bueiros de última geração e tudo funcionou como projetado. Mas a cidade não percebeu os benefícios prometidos. Por quê? Os varredores de rua continuaram a operar como sempre, entupindo as entradas com folhas e sujeira. No caso, se os parceiros da IoT se concentrarem no desafio comercial, eles terão a ROI esperada.

Alguns anos atrás, a Harley-Davidson teve um grande problema: a concorrência global estava aumentando e seus clientes potenciais estavam envelhecendo. A empresa precisava responder às mudanças dos desejos dos clientes mais rapidamente. Assim, a empresa reuniu pessoas de TI e operações, criou uma equipe unificada, integrou vários sistemas em uma única rede corporativa, ilhas consolidadas de dados e criou uma planta totalmente habilitada para IoT.

Isso permitiu que a empresa encolhesse um cronograma de produção de 21 dias para atender novos pedidos em até seis horas. Houve redução de custos operacionais em US$ 200 milhões, mais eficiência na produção e resposta aos desejos dos clientes de forma muito mais rápida.

Conclusão
Em última análise, esta é a promessa da IoT como a base para a transformação digital: negócios de superalimentação para atender melhor os clientes e todas as partes interessadas. Mas para realizar esse processo, as empresas precisam abordá-lo como uma jornada multifacetada, fazendo mudanças em seus modelos de negócios e estratégias – ou arriscam-se a terminar sua viagem antes que ela realmente comece.

Artigo original:
https://hbr.org/2017/08/success-with-the-internet-of-things-requires-more-than-chasing-the-cool-factor

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